quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Escape

É difícil acreditar que eu passo um pedaço do meu dia aqui em frente ao computador. Hoje, por exemplo, eu queria estar em outro lugar, com amigos, me divertindo e pegando sol. Queria estar de pés descalços na areia, ou talvez passeando por uma praça, ou aqui na orla de Ipanema... Mas a vida não é tão maravilhosa assim. Ouvimos, lemos e vemos sempre biografias incríveis de pessoas que se aventuraram, voaram pelo mundo e salvaram-no, sempre com a imagem de uma vida como filme. Porém, há momentos monótonos, que não são citados. A pergunta é: O que fazer se sua vida não é repleta de aventura? No meu caso, ligar o computador.

O computador, pelo menos no meu caso, não é uma for de escape do mundo. Eu não tenho uma vida virtual e não salvo conversas de msn. Meu orkut é visto, respondido, atualizado e fechado. O que mais gosto, disparado, é escrever no blog, e sinto uma melancolia quando não tenho criatividade para postar (que é o que anda acontecendo seguido).

Meu pai reclama de minhas horas no computador, mesmo sabendo que eu já reduzi o uso apenas para a noite (o que polpa tempo, porque gosto também de dormir). O que ele não entende é que não há nada mais a fazer. Já li, já estudei, já conversei com minha mãe e brinquei com minha irmã, já pensei na vida, já vi tv, já joguei video-game... Não costumo comer por nada, então a comida não é uma saída para mim. Fui criada em apartamento, então não tenho costume de sair facilmente de casa e não vejo grandes motivos para caminhar sozinha (se for para pensar, vou para meu quarto ou para o sótão).

Se alguém tiver alguma ideia melhor para a monotonia da vida, me avise. Me sinto bem no momento e não há nada me incomodando, mas o que mais uma jovem como eu, sem carro e sem dinheiro, pode fazer?


Luciana Pontes

domingo, 13 de dezembro de 2009

Conto de rua

Sempre imaginei a história das pessoas que passam na rua. Os simples pedestres, ou viajantes, ou nossos colegas de banco de ônibus. Olho para pessoa e começo a criar a vida dela. Certamente já sofreu, porque todos sofrem. Certamente já perdeu um ente querido ou um amigo/amor, ou então uma partida de pife. Com certeza passou por grandes aventuras, viu o que não gostaria de ter visto e já se apaixonou (por alguém ou algo). Se tem as feições marcadas pelo cansaço, defino-a como trabalhadora, que sua pelo sustento de sua família e pelo seu próprio, se não arranjou um chinelo velho ainda. Se veste-se bem, imagino que vai ao encontro de um amigo esquecido ou o amor do momento.

Certa vez vi um casal. Ele era lindo e ela mais ainda. Eles eram perfeitos, modelos, daqueles de comercial de perfume francês. Ela segurava um bouquet de flores roxas, que faziam contraste com teu cabelo ruivo e liso. O homem era loiro, alto, magro. Os dois se olhavam como se jamais fossem se ver novamente e, apesar dos bancos vazios, estavam de pé. Todos do ônibus os observavam, pois eram diferentes de tudo aquilo que já tinham visto. O amor que os cercava era tão grande que brilhava nos seus olhos claros. Os dela verde, os dele, azuis. A vida que lhes voava entrava em todos. Ali, entre a energia que os unia, havia uma vida de contos de livro. Talvez os pais dele não gostassem dela, talvez ele queria largar tudo e viver como artista, talvez ela estivesse grávida e não sabia. Só o que sei é que, na minha simplória volta para a zona sul de Porto Alegre, um casal como Romeu e Julieta se despedia. Eles não trocavam palavras, só olhares, como se já tivessem dito de tudo um para o outro e, ao invés de perderem seu tempo falando, miravam-se como nós ao admirarmos o céu.

Em que parada a vida os separou eu não sei, mas ainda fico a imaginar.


Luciana Pontes

A vida no espelho

Um dos meus sonhos malucos sempre foi atravessar o espelho.

Imagine: Ver a vida pelo ângulo contrário... Como seria?

Porém não apenas ver, mas viver; Não imagino um mundo ao contrário, não pelo que a imagem nos mostra, mas diferente no sentido de mágico. A vida no espelho seria mágica. Diferentemente também do que nosso reflexo lá pode parecer - ego inflado, egoísmo e alto índice de amor próprio - a sintonia das coisas seria colorida, tudo seria leve e voaria, como nos comerciais da Coca-Cola.

Os prédios dançariam ao som de flautistas, o mar teria ondas redondas, a chuva seria quente, o sol seria eterno e não haveria noite. A noite não existiria porque não sentiríamos sono, não cansaríamos, e a escuridão que ela nos proporcionaria não se encaixaria no contexto colorido do novo mundo.

Ninguém trabalharia, todos estudariam, e não me pergunte como seria a economia, a bolsa de valores e o tipo de governo, porque isso não existe aqui. Pelo menos até onde posso imaginar.

Infelizmente minhas tentativas de atravessá-lo em vida normal foram catastróficas: Alguns espelhos quebrados. Seis, para ser mais exata. (claro que eu não tinha em mente passar meu corpo para o outro lado... Eu queria apenas passar minha maquiagem... Mas alguma força do além - ou minha concentração extrema na hora de passar o lápis no olho - fazia com que o espelho caísse)

A minha imagem de vida no espelho pode pular um pouco os contextos burocráticos e parlamentares da vida socio-econômica que temos - se é que tudo isso faz sentido - e imergir na ilusão protoplasmática verde-água que infestaria o mundo, mas é o que vejo além de minha cara mórbida pela manhã, ao levantar-me e olhar-me no espelho, questionando a integridade das regras que me prendem a realidade.

E viva os comercias da Coca-Cola.



Luciana Pontes

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

O que aconteceu comigo.

Sexta-feira passada, bela sexta, diga-se de passagem, eu saí da escola, como de costume, e fui para Novo Hamburgo.
Chegando lá, acompanhada de minha generosa mãe, sentei-me para colocar meu patins. Iniciei meu treino, tudo normal, tudo na mesma. Aquecimento, saltos pequenos e logo, saltos mais difíceis, ok. Passei a treinar minha sequência competitiva (até então) e acertei algumas.
Sempre insatisfeita, pus-me a dar maior força de impulso, sabe-se lá Deus porquê. Até que caí. Fiz um pequeno corte na mão, causado por uma pedra que estava na pista. O corte foi simples, mas sangrou e doeu, como qualquer batida. Fui ao banheiro limpá-lo e segui meu treino. Ao voltar para a quadra e repetir minha sequência, caí de novo, só que, desta vez, ao invés de proteger a queda com a mão, coloquei o cotovelo. Foi uma batida maior do que eu esperava, e no instante seguinte formou-se uma bola no meu braço. "Oh, meu Deus, quebrei!", pensei, mas depois percebi que a dor era suportável demais para ter sido de fratura. Meu bondoso técnico deu-me gelo e eu fiquei sentada ao lado da entrada da pista, congelando meu novo inchaço. Passados trinta minutos, levantei-me, e aí, galerinha, é que senti o que realmente havia acontecido.
Flash back: Ao cair de cotovelo, meu corpo ficou jogado de lado no chão, e meu pescoço bateu com força total no ombro, com direito a ida e volta de batida (como um vai e vem).
Senti dor nas costas, de cima a baixo, mas conseguia me mexer.
Voltei imediatamente para casa (é claro, pegando o ônibos de volta à Porto Alegre) e arrumei-me para dormir. No dia seguinte, sábado, tive a primeira físio-terapia. Segunda e terça completei minha trajetória físio-terapêutica, mas a dor não havia diminuído, e sim, tornada-se constante. Doía a cada segundo, com ou sem movimento do corpo.
Fui ao médico.
Após um raio X, ele constatou que eu estava com uma contratura grave no pescoço, pois o músculo trapézio, que vai da nuca até o meio das costas, estava completamente contraído em função da queda. Meus ossos do pescoço, ao invés de manterem sua formação curvada normal estão retos.
Resultado: 5 dias de medicação (se acabar, então, a dor) e 'pescoceira', que é como eu chamo a 'tala' envolta do pescoço.
E agora?
Adeus campeonato...


Luciana Pontes

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Bobagem

Abaixo você lê um momento meu de insanidade total.
É importante observar que o texto abaixo foi escrito para parecer ruim e idiota mesmo.


Eu vou lá comer
porque não há mais nada que eu possa fazer hoje de noite.
então eu vou lá comer
porque a vida não me dá outra escolha.

meu jantar está na mesa
minha sopa é surpresa
meu frango endureceu
eu vou lá comer porque nada me resta
é o fim da festa
é começo do que não aconteceu.


Luciana Pontes

A amiga

Eu tenho uma amiga insuportável. Tudo que deixamos pra ela fazer dá errado, ela demora para entregar a parte dela dos trabalhos em grupo, ela não sabe a hora de parar de brincar, ela é atrapalhada, paga mico e machuca as pessoas (eu) com suas unhas pequenas e cortantes. Ela ri alto demais, agudo demais, fala bobagem demais, fica utilizando do seu cacoete tremelicante para sacudir minha mesa a manhã toda e copia e cola seus parágrafos da internet. Ela não me ouve, não me ajuda, me irrita todo o dia, me cansa, me pede ajuda e não entende nada, me deixa LOUCA!
Ela pede vídeos, fotos, sons e coisas de 4 mil anos atrás pelo msn enquanto eu estou ocupada.
Ela começa a cantar no microfone enquanto eu estou ocupada.
O msn dela sempre dá errado, os vídeos que ela faz sempre estão errados, a parte dela dos trabalhos sempre está errada.
Ela nunca sai conosco, ela nunca tem tempo, nem dinheiro, nem vontade.
Ela nunca cumpre o que promete, ela sonha alto e não faz nada para realizar.
Ela não dá ideia, ela não ajuda, ela é uma pedra em minha vida!

Mas não sei como não consigo me separar dela.


Luciana Pontes

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Vontade de ano novo

Hoje de tarde queria comemorar o ano novo.
Uma súbita vontade de ver os outros bebendo champagne e filar um golinhos (porque sou menor de idade) e olhar de longe os fogos de artifício queimando no céu caiu sobre mim, enquanto empurrava meu patins na pista.
Mas seria aquele ano novo sem preocupações.
Porque, durante toda a comemoração para o ano que se inicia, eu penso, e penso muito, sobre a escola, minha vida, minha velhice que só tende a aumentar, a patinação, e todas as outras coisas que eu desejo mudar/melhorar.
Seria uma ano para brindar. Numa casa de praia, roupas brancas leves e soltas, pele queimadinha, cabelo com maresia. Ao lado de pessoas legais, que contem coisas engraçadas, que passem alegria. Com amigas, que sonho, com namorado...

Bom, apenas hoje de tarde eu queria comemorar um ano novo.
Só comemorar, sem pensar realmente no ano NOVO e todas as descrições que o 'novo' pode levar consigo.


Luciana Pontes

domingo, 15 de novembro de 2009

What is a youth

Uma brisa inspiradora, a que eleva a mente e suporta a alma. Uma luz que dá a vida, que ilumina e comove. Ai desta energia que me consome. Energia boa, vivaz. Pensamentos eloquentes abrem alas às ações. Num envolto vento, num voar solitário e encharcado, à beirada do monte, à princípio do fim dos tempos, mas longe do drama e longe da morte, longe do ruim... Perante a luta.
A salvação em plena batalha... Nada divino, nada distante: Apenas o infinito humano, à sombra do finito tempo em que vivemos. São forças que me tomam, que me domam, que me levam além de mim e além do que posso imaginar, mas imagino. É tudo que não é e que não pode ser. É fora das leis, das leis erradas; é o sopro do Mestre. Há planos e há forças, e há uma força suprema que libera o caminho. Pode ser minha e pode ser sua, pode ser uma força que não vemos. Mas há, e sei que há, e haverei de segui-la!
E não hão de me ver perder, não terão o prazer de me derrotar ou me ver caída e arruinada, pois sou o que me guia, sou a alegria, sou a força e vejo a força, vejo o que move a montanha.

Palavras perdidas, que não conseguem passar para vós o que me alimenta. É um estado composto, inenarrável e iniludível, impossível de descrever.


Luciana Pontes

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Antes que o sol nasça VIII

Antes que o sol nasça - Apenas um momento de loucura da garota que escreve.
(texto verídico)
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Hoje dormi com a cara na mesa. O olho apoiado no braço, as costas tortas, os pés tortos, a mão segurando uma caneta tampada.
Acordei com dor no olho e visão nublada, com a maquiagem borrada e o rosto inchado, com dor nas costas, nos joelhos, nos calcanhares, no pescoço e nas coxas.
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Dancei até dormir na mesa, sonhei. Foi um daqueles sonhos perdidos, nem lembro, com muitos ruídos e imagens sem sentido. Parei de sonhar.
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Tinha um caderno ao meu lado.
Um caderno pequeno e antigo, mas não tão antigo, sem muitas páginas... Mas a caneta estava tampada.
Tinha também uma garrafa de vidro com água, água bem gelada, água de dançarino... mas ela também estava fechada.
Havia muitas mochilas, muitos casacos, e todos numa posição um bocado mais confortável que a minha, sentada numa cadeira de madeira. Velha, a cadeira.
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Colocaram-me para fora do recinto e eu continuei, meio dormindo. Guardei meus trapos e me fui.
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Fiquei em pé, insegura e em pé, à postos, com a mochila nas costas e o casaco sobre os ombros. Frio. Mas as pessoas que me cercavam não sentiam nada.
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Perdi minha caneta.
Mas fiquei com a tampa.


Moral da história: Sempre abra sua garrafa de água antes de tentar bebê-la.


Anteriores:
Antes que o sol nasça VII
Antes que o sol nasça VI
Antes que o sol nasça V
Antes que o sol nasça IV
Antes que o sol nasça III
Antes que o sol nasça II
Antes que o sol nasça I



Luciana Pontes

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Antes que o sol nasça VII

Antes que o sol nasça - Apenas um momento de loucura da garota que escreve.
(texto verídico)


Estudo Filosófico Analítico, Absoluto e Cosmológico Sobre Comportamento Humano e Epistemologia Ética.


"Eu descia as escadas, indo em direção à mesa, para sentar-me e comer o café da manhã. O pão, que sempre acompanhou, não me apeteceu muito, então fiquei só no café. Ah, o café, que inicia meu dia! Bem sentada na minha cadeira de sempre, estiquei o braço para pegá-lo
Calculando a distância entre os dedos, a fim de não tostá-los no calor do líquido, encostei a mão pela primeira vez na xícara. Ela estava morna. Nem quente, nem fria. Morna. [A pronúncia da palavra já mostra sedentarismo; morna, um som flácido que cai e num pluft se espalha pelo solo todo, jogando banha para todos os lados e grudando para sempre no chão] Mesmo incrédula, experimentei. O café descia pela minha garganta quando notei o que havia feito. O líquido era tão morno quanto a xícara o segurava.
Pensei em diversas coisas. Jogar tudo fora, aquecer, esquecer, comer só um pão. Mas não, entrei em completo choque e nada mais fiz. Eu só conseguia beber e beber, como se só me restasse isso na vida.
Foi então que tomei a maior decisão de todas, me levantei. Peguei, num impulso, a xícara e a toquei dentro do micro-ondas, o exorcista. 30 segundos de tensão. O piii, pii, anunciou minha vitória. Regatei-a de dentro do micro e senti-a em seguida. Estava pelando. Era tudo um jogo de opostos... Eu aceitei o desafio. Rapidamente voltei à mesa e coloquei-a em seu ponto estratégico para observação. Em um primeiro momento tudo certo, bebi. Estava horrível, quente demais e sem gosto, morto. Matei o café. [Uma letra separa o meio-termo horroroso do fim trágico. Tanto morno quanto morto não servem para café, servem para um chá e talvez uns pedacinhos de bacon cru]"

Agora, meus amigos, eu conto a vocês o porquê de tudo isso. Releia o texto de uma maneira mais conotativa. Sinta a profundidade das letras que se seguem, a sonoridade das sílabas, você consegue?

Meu caros, a vida é um café. As pessoas podem ser comparadas ao café que tomei esta manhã. Aí está um raro e belíssimo exemplo de auto-conhecimento, psicologia e, principalmente, filosofia. Ficou claro que eu não gosto de pessoas lentas, que empurram tudo e deixam para depois.
Outro ponto, magnificamente exemplificado acima é o fato de tentar mudar as coisas. Vocês conseguiram perceber? Tentei mudar o destino pesaroso da minha humilde bebida. Tal foi minha surpresa quando, por uma lástima indecifrável, matei-o! Estraguei meu cafezinho com leite, mas levei uma lição para a vida toda.

Carpe Diem.


Luciana Pontes