segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Um velho perdido

Meio manco de uma perna
Olhar é gasto, iludido;
Cabelos brancos lhe cobrem o rosto,
O pobre velho está perdido.

Sua bengala está na mão
E ele só vê desconhecido;
O velho não sabe de nada...
O velho nem é sabido.

Dizem-lhe "vá por lá"
Mas ele é um pouco esquecido,
Procura o tal do "lá"...
Pobre velho desvalido.

Está manco, meio lerdo,
E um jovem fala ao seu ouvido:
"É por aqui, senhor, lhe acompanho"
Mas ele não ouve um ruído.

Está gagá, está senil.
Não sabe o que tem acontecido.
Sua bengala quase cai no chão,
Porque o velho é dolorido.

Está cansado de ajuda
E de dor dá um gemido.
"Oh, céus, o que houve,
o senhor está ferido?"

Mas ninguém o conhece
Ninguém nunca o viu;
O velho ronda de dia
O velho é senil;
Sua voz não sai da boca
E sua prece sucumbiu,
Sua roupa está suja;
O seu olhar é tardio...

É manco e meio cego
Na cabeça, um som ardido,
São as vozes que lhe rodeiam
Avisando que está perdido.

Por Luciana Pontes.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Nós dois agora

Talvez não estejamos falando de nós dois agora. Talvez as indiretas não sejam para mim, e as minhas não sejam completamente para ti. Ah, mas que sonho é e será se forem de mútuo agrado. Isto é, se te agradar a minha adoração por ti.
Talvez nossa proximidade tenha nos afastado...

Por Luciana Pontes.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

O que é perfeito?

Perfeito pode ser um choro, ou um sorriso. PErfeito pode ser viajar, ou ficar em casa. Perfeito pode ser apenas um momento, ou a vida inteira. Perfeito pode ser um dia de sol, ou um dia de chuva. Pode ser um beijo, ou um amor pra vida toda. Perfeito ainda pode ser algo inesperado, ou algo muito esperado. Perfeito é um minuto, ou várias horas. É tudo aqui que você vê, ou não. Perfeito pode ser ensaiado, ou improvisado. Perfeito pode ser doce, ou salgado. PErfeito é tudo aqui que faz você se senir bem, e você não sabe explicar porque... Mas na hora, a gente reconhece.

N.Netto.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Café da manhã macabro

História verídica, ocorrida lá pelos idos anos de 2003;


Certa manhã, como de costume, fui acordada pela minha mãe e me encaminhei até o banheiro. Enquanto fazia uma rápida higienização matinal, ouvi, da cozinha (onde, agora, se encontrava minha idolatrada mãe) o seguinte seguimento de fala:
- Coloquei pra ti "nanana" limão "lalalalalalalalaá" não tira!
Desacordada demais para pedir o repetimento, deixei por estar.
Segui até a sala, onde sentei-me à mesa e pus-me a desfrutar de um pedaço de pão acompanhado de seus 'frios'. Ao lado do meu prato se encontrava aquele delicioso leitinho gelado com Nescau, sabor que marca a infância. Peguei o copo e bebi meu primeiro gole achocolatado. Senti o gelado descer pela minha garganta, acompanhado por um gosto horrível. Era como se eu estivesse bebendo o suor de um pântano podre, ou talvez a poça de água mais suja de Porto Alegre, ou então a urina de um velociraptor velho... Era o gosto da morte na minha boca... Mesmo assim, tomei mais um gole. Pude, dessa vez, sentir o sabor de gotas de limão no leite e concluí o que estava acontecendo: Mamãe havia colocado limão no meu leite com Nescau, e era isso que ela havia me dito aquela hora; daí provinha o gosto do Apocalipse azedado. Sempre acreditei na mamãe e no papai, portanto, não havia dúvidas de que a resposta era aquela. Tomei mais uns goles.
Minha irmã chegou a mesa e pegou seu copo. Antes que eu pudesse avisá-la de qualquer coisa, ela já estava cuspindo tudo na toalha:
- Mas que coisa terrível!!!
- Déia, não fala assim... A mamãe colocou limão no nosso leite. - Tentei acalmá-la.
- Que limão o que Luciana, deixa de ser doida!!! - Não acalmou-se Déia.
- Bebe tudo isso aí e não reclama! Deve ser alguma receita nova da Ana Maria Braga - Coloquei-me, finalmente, como a irmã mais velha dela.
- Ahh não, eu não vou beber essa coisa nojenta... Pensa bem, Lulu, parece que tá podre! Vou lá levar pra mamãe...
Ia levantando-se minha irmã quando eu a interrompi:
- Déia, pelo amor de Deus, se a gente não gostar a mamãe vai ficar uma fera!!
- LUCIANA EU NÃO VOU BEBER ESSA COISA HORRÍVEL! - Tomou as rédeas minha irmã mais nova.
- Então vai lá... Eu vou tomar mais um pouco pelo menos... - E mergulhei-me em goles grandes e nojentos, até que mais da metade da parte superior do copo estivesse vazia.
Minha mãe, ocupada com seus afazeres domésticos logo pela manhã, não sabia de nada daquilo. Ouvi, então, a conversa das duas, minha irmã e ela, na cozinha:
- Mãe, bebe isso aqui e me diz o que tu acha... - Propôs docilmente Deinha, e esperou que minha mãe provasse.
- Aaaaah meu Deus do céu, que horror! Arghh - Respondeu mamãezinha querida.
- A Luciana disse que tem limão aí e que a gente tem que beber tudo! - Acusou-me a irmã.
- LUCIANA DEIXA DE SER LOUCA AQUI NÃO TEM LIMÃO! - Brandou mamãe para mim na sala.
- Mas tu disse que tinha! - Entrei na conversa.
- Para guria, esse leite tá azedo! - Retrucou minha amada mãe vindo até a sala - Meu Deus e tu ainda bebeu quase tudo...
- Sim... Eu nem tinha persebido nada demais - Menti. - E, afinal, cadê o limão?
- Eu disse que tinha colocado biscoitos de limão na tua mochila pra escola, guria!
Incrédula, levantei-me e fui despejar o resto do meu copo na pia.
Ninguém falou mais nada.
Fui para a escola e não passei mal. Mas o sabor da morte no meu copo com Nescau persegue-me até hoje. Deve ser por isso que acredito no café, todas as manhã, mesmo que nem sempre ele me ajude a continuar o dia.


Outras histórias verídicas:
Desastre da Margarina
O maníaco da pipoca
Conto de rua
Antes que o sol nasça VII
Antes que o sol nasça VIII
O que aconteceu comigo


Por Luciana Pontes.

domingo, 31 de janeiro de 2010

quem sou eu: II

SOU

uma eterna exclamação no meio de dúvidas intermináveis
Uma luz no fim do túnel
No meio do padrão?
Sou quem se destaca de diferentes maneiras

POSSO SER

Uma face entre tantas outras, ou um rabisco no meio de um rascunho
Mais uma: igual a todas as outras

PORÉM, NÃO SOU

Quem tu queres
O que tu queres
Quem tu desejas

DIZEM QUE EU DEVERIA SER

Um número a mais no silêncio já existente

NO FINAL, SOU SOMENTE oito letras dispostas ordenadamente, um infinito de sonhos, dúvidas, almejos, e esperanças.
Sou quem está sempre rindo, sou quem se preocupa com todos, e quem se fode no final... Mas estou sempre rindo!:)

Sou Nathalie.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Quem sou eu:

Uma retardada
Sem personalidade
Definida como uma esponja
Sem opinião
E influenciada por todos :)
fim

Postado pela retardada aqui e sem responsabilidade: Nathalie, ou então nao sei qual meu nome veradeiro.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Big Brother é legal

Muitas pessoas criticam o Big Brother Brasil, argumentando que os participantes e os espectadores são idiotas, imbecis, burros ou medíocres. Pra variar, eu não concordo com isso.
Defendo a ideia de que somos todos 'normais' (entenda 'normais' por certa igualdade nas pessoas, como ir ao banheiro). Já ouvi muitas críticas quanto a programação, música, roupa, estilo, etc, etc, e a maioria vinda de pessoas com um complexo de superioridade incrível. Bom, eu posso até manter uma opinião sobre certos assuntos, mas não esquento a cabeça com todas as coisas que o povo gosta. Gente, Big Brother é legal.
Não somente pelo fato de analisarmos as mudanças durante o confinamento, como também nos divertimos e até gostamos de alguns.
Daí você diz que é tudo armação da Rede Globo. Ah, bom, que seja... É só um passatempo.
O fato de ver ou não BBB não me faz mais burra ou mais estúpida que ninguém.
Eu prefiro cuidar bem dos meus neurônios, para melhor usá-los nas devidas ocasiões, do que queimá-los com essas críticas bestas. As coisas seriam bem mais fáceis se as pessoas fossem mais calmas com a opinião alheia.
Muita gente confunde intelectualismo com nojentisse. Digo-lhe: Você não precisa ser nojento. Claro, que sou eu para dizer isso? Uma reles mortal que nem tem ainda o diploma de ensino médio... Mas por que não deixar que as pessoas dancem, cantem, ouçam, pensem tudo o que quiserem? Não deveria fazer parte do entendimento universal desses mestres criticadores a liberdade de opinião? (Reflita)
Então, calma, pessoal, calma. Mantenham seu entendimento das coisas, mas deixem todo o resto em paz. Você não precisa odiar tudo para ser inteligente.

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Sobre a postagem abaixo, desculpem as palavras frias e cruéis, mas às vezes eu chego num limite. Não sou tão má assim (ou sou?).
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Por Luciana Pontes.